Em vez de faces, jeitos, vozes, nomes, cheiros, formas, chegam-me somente emoções confusas ou palavras ...
Tinha desejos violentos. pequenas gulas, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos, tesões insaciáveis. ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos, relia ou escrevia cartas apaixonadas, transbordantes de rosas e abismos. [Caio Fernando Abreu]
~ Poxa vida, que vida... Como dizia dos desvaneios desta tal vida, que vida, que abraço, que tédio, aqueles espinhos torturaram a muitos, perdiam-se nos braços, no peito, na cabeça, ela triturou aqueles rapazes, aquelas moças, o fez... Ainda ve-se o mar, ele bate ondas como bate o vento neles, som, esse som, tapa os ouvidos mas ainda fica neles, minhas palavras se repetem como fossem ecos, ecos sejam elas. Ainda respiro e inspiro, bate peito meu sangue corre, a força continua aqui, parece que a dias ela se junta numa coisa só, a dias ela trás e retira o que é pra ser, costumava agir e não pensar, hoje penso e depois vejo se ajo, estranho não? A arte de aprender vem com o tempo, você cai e levanta, cai de novo e senta, cai sentada mas senta de novo, depois deita e se acostuma que nem sempre dará certo, vai se prostar as coisas, algumas se prostam a você, oras, oras, e oras, acho que me perdi no que outrora falava antes neste texto, contexto era o dela ferindo com espinhos os que antes se prostravam também, e você? Aceita um abraço com espinhos?

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