terça-feira, 5 de abril de 2011

Tarde nublada e Ana quase que imovel por três horas, mesmo banco, cigarro  por acabar na cartela, e uma pessoa observando cada movimento dela...

- Posso me sentar senhora?

Aspecto sujo, causava medo, e cheiro não tão agradável,  mendingo média idade, roupas rasgadas e boca por salivar fora.

- Sim, tem espaço no banco.
- Reparando-a tentei decifrar e  imaginar o que pensava, e cada gesto que fazia me indicava que é dor de decepção senhora. Decepção, com todo respeito a me intrometer, posso?

Arregalou os olhos, sem reação alguma tirando esta, o ponto de interrogação parecia ser desenhado imediatamente sobre sua cabeça. " Como pudera ele perceber isso" sendo que não á conhecia?

-  Como sabe disso se nunca me viu na vida?
-  Senhora, passo quase que todo meu tempo convivendo com as pessoas, parado, meu único passatempo é tentar entender porque são de determinada forma, cheguei a algumas conclusões,  gestos também me fazem ser um vidente de pensamentos.
-  Já que é assim, poderia me responder uma coisa?
-  Sim senhora, com todo prazer.
-  Porque as pessoas se fazem de alguém que não são?
-  Talvez pelo medo do que elas exatamente são, me responda: Ao ver a verdade delas, qual sua reação?
-  Decepção.
-  Pois é, algumas ficariam sozinhas se se mostrassem por inteiro.Mas talvez se não tivessem mentido da primeira vez, aprenderiamos a gostar delas como são...

Moral? Isto é com você, cada um tem sua história de vida, este texto cabe a sua?

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