A fevereiro, veio com pouca força, Janeiro arrebentou minhas pernas, tirou meu salto, vomitou meus instintos, me fez errar e acertar tudo em 31 dias. Passado volta e volta bem bonito, vem pra se encaixar por uns dias e ter o que quer, e depois? Pessoas vão embora mesmo, com toda fê e coragem, me sinto em uma voluta.
Fevereiro com 200 e poucas mortes em um só lugar, e mais uns mil por aí, fevereiro de lutos internos, vazios quebrados, fevereiro de sol, lembranças minhas, lembranças nossas, lembranças só suas.
Ah, se eu pudesse lhe dizer do amor que carrego comigo, que de tão silencioso me rompe a alma, meus poros, meus gostos, meu sono, sonhos, ah, se eu pudesse lhe beijar de novo os lábios, costurar tuas feridas com meu: Olha amor, vai ficar tudo bem, estou aqui, caminhar pelo teu corpo branco feito leite, lhe desejar bom dia, boa tarde, boa noite, me enciumar com pequenas coisas, brigar e depois fazer amor, ah se eu pudesse, se eu pudesse desejaria de novo uma vida a dois, imaginaria filhos, cachorros, gatos subindo pelas coisas na casa, ah se eu pudesse deixava de pensar que por anos não paro de pensar, não paro de amar, ah, se eu pudesse juntava o seu ao meu, ou então esqueceria de vez, se eu pudesse desejaria que Chico Buarque não coubesse tão completo nesse texto ao lhe copiar em aspas:
"Que saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar."
É, parece que ainda te amo, a anos? quantos?

Nenhum comentário:
Postar um comentário